Meus senhores eu sou a água
Que lava a cara, lava os olhos
Que lava a rata e os entrefolhos
Que rega a nabiça e os agriões
Que lava a piça e os colhões
Lava as mamas e o que está vago
Que lava o sítio por onde cago.
Meus senhores aqui está a água
Que rega os alhos e os grelinhos
Que lava as colchas e os paninhos
E o sangue das grandes lutas
Que lava as sérias e as putas
Que apaga o lume e o boralho
E lava as gelras ao caralho.
Meus senhores aqui está a água
Que rega a salsa e o rabanete
Que lava a língua a quem faz minete
Que lava o clube mesmo rasca
Tira o sal ao bacalhau em lasca
Que o homem bebe, mas também o cão
Que lava a cona e o berbigão.
Meus senhores aqui está a água
Que rega as rosas e os mangericos
Que lava os bidés e os penicos
Que tira o sebo das algibeiras
E dá de beber às ferssureiras
Que lava a tromba a qualquer fantoche
E que lava a boca depois do broche.
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